"O mais importante da vida é ser tu mesmo", falou, mostrando que coloca a vida muito antes da carreira. Confira a entrevista na íntegra:
Acharam suas malas?
Hoje de manhã, graças a Deus. Amanhã vou embora mesmo, não ia adiantar nada, né? Aliás, às vezes me pergunto de que adianta viajar com malas, se eles sempre as perdem. Felizmente tenho a minha irmã e posso usar as roupas dela. Até as roupas chegarem, usei a mesma calça jeans que vim no avião e peguei dois vestidinhos dela.
Como é sua relação com aeroportos? Olha, para falar a verdade, não sou grande fã de aeroporto. Detesto. Mas todo trabalho tem um lado mais pleasant (prazeroso) e outro desagradável. Mas assumo: odeio viajar. Desde que virei modelo, passei a vida toda viajando. Indo, vindo, nunca estando nos lugares.
Recentemente, as tops Luciana Curtis e Marcelle Bittar assumiram que têm aflição de viajar de avião e que recorrem a calmantes para dormir nas viagens. Qual é o seu ritual?
Sempre levo meu próprio cobertor. Faço do avião minha casa. Levo óleo de Aromatherapy - de lavanda, peace and calming - e coloco no travesseiro do avião. As pessoas devem achar que sou maluca, faço minha casinha no avião. Normalmente, janto, leio, ouço meu iPod e durmo até o destino final.
E que outros rituais a Gisele tem, ao acordar, ao sair de casa, no dia-a-dia?
Cada vez tento dar mais espaço a minha vida de, digamos, lazer espiritual. Vivemos num mundo materialista e corremos tanto que é fácil nos esquecermos da gente, sabe? Tu faz, faz, faz e, quando vê, já está te perdendo de ti mesma. Quando acordo de manhã, a primeira coisa que faço é agradecer por estar bem, por estar aqui, viva. Mesmo que seja às cinco horas da manhã, na neve, fotografando pelada. Poderia acordar e dizer, "Pô, estou pelada, com frio, com cólica". Mas não. Agradeço pelo que sou, por trabalhar com o que gosto. E, com isso, apesar de fazer a mesma coisa, ao encará-la com outro astral, mudo a chavinha e fico melhor. Cada um tem a sua chavinha e pode fazer a escolha que quiser. Não importa o que aconteça, sei que tenho o poder de virar essa chavinha e transformá-la em algo positivo. Isso foi uma coisa que eu aprendi muito com a meditação. Quando você medita, sua mente fica muito mais calma, mais tranqüila, usa melhor o tempo. Gostaria de poder viver num estado de meditação. Mas, enquanto não chego lá, tenho meus 15 ou 20 minutos dedicados todo dia a esse momento meditativo. Ioga também é uma coisa que faço sempre que posso. Isso é superimportante para cuidar do corpo e da mente, para ficar sã nessa correria do dia-a-dia.
E você tem algum guru que te ajuda nisso?
Não, guru, não. Tenho uma professora de ioga que é maravilhosa, ensina hata-ioga, que é uma modalidade mais meditativa, que trabalha bastante com a respiração. Aliás, a ioga foi inventada para tu chegar num estado mais meditativo mesmo, mais próximo de abrir teus chakras. Mas ela não chega a ser um guru, é só uma professora. Agora, não sei. Leio muito. Adoro Osho. Já li vários livros dele, achei todos muito bons. Gosto muito também de Alan Kardec. Li o Livro dos espíritos e gostei muito. Estou lendo agora o Ask and it's given - Learning to manifest your desires, de Esther and Jerry Hicks, ainda sem tradução em português. Pega lá na minha bolsa para eu mostrar para ela (aponta para a irmã, Patrícia que está sentada no sofá em frente). Então, leio muito. Adoro ler. A literatura é um presente. O que tu tira dos livros, não está em lugar nenhum.
Você já fez análise?
Nunca fiz. Meus livros são a minha terapia. Cada vez que preciso de uma luz na minha vida, me aparece um livro. Uma amiga me dá, ou eu acho, passeando no aeroporto. E quando eu gosto da mensagem, olha só como é que eu faço (mostra o livro): sublinho as partes mais importantes, para reler sempre. Olha isso, olha (Gisele lê um trecho sublinhado): "O maior presente que você pode dar ao outro é a sua própria felicidade (...) que é verdadeiramente quem você é e quando você está no estado de conexão, qualquer coisa e qualquer um que você está desejando como objeto de atenção beneficia-se disso". Não é lindo isso? Me dá uma força tão grande, sabe? Acredito que a gente vem para cá para aprender e somos todos espíritos, energia. Esses livros que leio só reafirmam isso. Porque de vez em quando, tu vai viver a vida, vai ficando ocupada, louca e tua cabeça fica ocupada, né? E tu perde tua essência. Esses livros me dão uma direção. Uma força maior.
Podemos fazer uma foto sua lendo o livro?
Claro. (A irmã e a assessora de imprensa da Colcci sinalizam que o tempo está acabando). Eu falo muito mesmo.
Quem cuida do seu dinheiro? Como é a Gisele empresária?
Olha, a Gisele empresária tenta de verdade. A Gisele já cometeu muitas falhas nesse sentido e, hoje, quem cuida do dinheiro é o meu financial manager (gerente financeiro). Minha família nunca se envolveu com minha carreira, nem com o meu dinheiro. Sempre foi a minha família, sem misturar os canais. Sou eu e meu financial manager que cuidamos de tudo. A não ser minha irmã que agora, graças a Deus, é minha agente. Mas vou te dizer uma coisa, eu acho um absurdo o que a mídia e as pessoas inventam ao meu respeito. Se eu ganhasse o quanto dizem que eu ganho, já tinha parado de trabalhar. Não saio como dizem que saio, sabe? Leio, fico em casa, passeio com meus cachorros. Não sei por que inventam tanto sobre mim. Talvez seja justamente porque eu não dou pano pra manga que inventem tanto a meu respeito. Sou caseira.
Falando de invenções, é verdade que você passou o réveillon meditando, sem sair de casa?
É verdade, sim. Passei o réveillon quietinha com os amigos. Foi uma experiência legal, porque eu faço dias de silêncio, três ou quatro dias de silêncio absoluto, a cada seis meses.
Como assim? Você fica sem falar nada?
É, aprendi que posso. Eu falo sem parar e a primeira vez que eu fiz dia de silêncio, achei que não fosse conseguir. Mas vou te dizer que eu nunca estive tão em contato comigo. Quando tu fala, tua voz polui teus pensamentos, sabe? Fiz isso há uns meses e foi tão bom que no primeiro dia deste ano fiz isso de novo. Estava em Santa Catarina com amigos e ficamos totalmente em silêncio. Foi sensacional.
Os rumores sobre a síndrome do pânico também foram inventados?
Olha, vou te falar que eu nunca tive síndrome do pânico. O que eu tive que gerou tudo isso foi uma crise de ansiedade, voando para a Espanha, num avião pequenininho, para quatro passageiros, no meio de uma puta tempestade. Foi desesperador e, depois daquilo, passei uns dias com claustrofobia, sem poder ficar em lugar fechado. Fui procurar os médicos e - tu sabe como é nos Estados Unidos, né? - qualquer coisa eles querem te encher de remédio. Daí, pra tu ver como é o poder da mente - pensei "não vou me livrar de um problema para me entupir de remédios e ganhar outro problema". Daí foi que comecei a fazer Ioga novamente, com mais intensidade. Consegui entrar mais em contato comigo mesmo e me curei sem remédios.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
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